segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

A CONDIÇÃO HUMANA

* Na antiguidade, por volta do séc. III a. C, Aristóteles na obra Política, afirmou ser o homem um animal político, ou seja, um ser com uma tendência natural à vida comunitária, ao ingresso no mundo da cultura com todos os seus produtos: o governo, as leis, a ética, o conhecimento, a  arte, etc. A visão otimista desse pensador em relação ao homem teve forte influência do contexto histórico da Grécia de seu tempo. A democracia estava instaurada, o teatro e as artes, em geral, floreciam mais e mais e a filosofia estava totalmente consolidada. A cultura grega se espalhava pelo mundo devido às conquistas territoriais de Alexandre Magno, pupilo de Aristóteles.

* Entre os modernos, Thomas Hobbes na Inglaterra do séc. XVII, também sustentava a tese da existência de uma natureza humana, no entanto, sua visão desembocava em um homem  violento e egoísta. Dessa forma, o homem poderia ser considerado o "lobo do próprio homem". A vida social seria apenas um modo de "aplacar" a maldade humana, por meio do rigor da lei e de punições extremas dignas de um governo totalitário.O grupo abriria mão de sua liberdasde selvagem em prol da "segurança" e da "paz". O governo deveria ser implacável devido ao risco de traição constante e todo o poder deveria ser acumulado por um único líder. O filósofo Maquiavel também adotou uma linha de pensamento semelhante na Itália.

*No século XIX, na Alemanha, Marx e Engels inauguraram um pensamento novo: substituíram a ideia de natureza humana pela noção de condição humana. Para eles não havia nada inato que determinasse os indivíduos e seu comportamento dependeria muito mais do modo como as condições de trabalho se dão no curso histórico. Marx e Engels afirmaram que "não é a consciência que determina as relações de produção. São as condições materiais da existência que determinam a consciência humana." O homem deveria se humanizar principalmente por meio do trabalho que, ironicamente, o conduz à reificação e à alienação. A ideologia dominante reforça a divisão social em classes e a fragmentação do trabalho reforça a alienação do trabalhador que não possui uma visão holística das etapas da produção, não é dono do capital e, geralmente, não pode consumir o que ajuda a produzir. Além disso, o trabalho retira do homem o tempo livre para a reflexão, a apreciação da arte e para o convívio com outros homens.

* A pensadora judia contemporânea Hannah Arendt afirma que falar de uma natureza humana, ao invés de uma condição, reforça o tratamento ideológico conferido ao modo de pensar o próprio homem, é algo como mascarar ou inverter o real, ao tomar por natural o que é apenas produto da manipulação. Para ela, o homem possui uma condição: a de ser livre, que mesmo adestrado pela cultura é capaz de construir a autenticidade, no contato com uma educação verdadeiramentre libertadora, para além dos moldes tecnicistas. 

Prof. Bruna Milene Ferreira 

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