terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

MODELO DE FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA DO PROJETO DE PESQUISA


OBS. EMBORA A TEMÁTICA A SEGUIR NÃO SEJA A MESMA DA PRIMEIRA PARTE DO MODELO DO PROJETO CEDIDO ATÉ O MOMENTO É UM BELO EXEMPLO DO QUE PODE SER FEITO NESTA ETAPA DO TRABALHO, CONFIRAM:

6. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA


6.1 Afinal, o que é Pedagogia?

            Pedagogia é a ciência que estuda os processos de aprendizagem no intuito de aperfeiçoar esses processos. Analisando a palavra ao pé da letra, sua origem é grega e significa “condução da criança” e, de fato, a pedagogia inicialmente se referia apenas ao cuidado, ao zelo e à condução da criança. Segundo Ghiraldelli,



Somente com a modernidade a pedagogia se tornou aquilo que conhecemos, efetivamente, por pedagogia. Foi a partir do século XVII que ela começou a deixar de ser a simples ‘condução da criança’, para transformar- se mais decisivamente em teoria e normas educativas para crianças, ou melhor, para a infância. (2006, p. 81)

Já no Brasil a Pedagogia surgiu um pouco mais tarde, como comenta Aranha (2006, p. 15), “A fermentação das discussões pedagógicas no Brasil teve início ainda no final do Império, intensificando-se após a proclamação da República.” E aqui também ela inicialmente se tratava apenas dos cuidados com a criança, inclusive as instituições educacionais eram voltadas para esse sentido, porém com a modernidade surgiram a pedagogia tradicional e a pedagogia nova que introduziam à pedagogia o sentido de educar, disciplinar, ensinar e produzir conhecimento.
A pedagogia tradicional vigorou fortemente no Brasil até por volta de 1930, porém até hoje ainda vemos resquícios de suas características, pois muitos educadores não evoluíram e não renovaram seus métodos. Segundo Schramm (2001):

Os métodos baseiam-se tanto na exposição verbal como na demonstração dos conteúdos, que são apresentados de forma linear e numa progressão lógica, sem levar em consideração as características próprias dos alunos, muitas vezes encarados como adultos em miniatura.

 Nessa proposta de ensino o professor é tido como a única autoridade dentro da classe, predominando assim um notável autoritarismo que reduz o ensino a uma simples transferência de informação e o aprendizado à mera memorização de informações.
Contrária a essa concepção de ensino surge então a Pedagogia Nova que veio com novos ideais graças às diversas reformas ocorridas no período que foi de 1889 a 1930. Conforme Schramm (2001, apud LUZURIAGA, p. 342), "Por educação nova entendemos a corrente que trata de mudar o rumo da educação tradicional, intelectualista e livresca, dando-lhe sentido vivo e ativo. Por isso se deu também a esse movimento o nome de escola ativa". Assim, as metodologias adotadas nessa nova concepção são totalmente diferentes da primeira, aqui o educando é mais valorizado e o ensino é mais democrático, ou seja, a partir daí começa a existir uma relação mais coerente entre professor e aluno, onde o conhecimento passa a ser construído e não reproduzido.
Hoje já são várias as concepções pedagógicas, cada uma com sua particularidade, porém todas com a intenção de superar o modelo tradicional e promover uma educação verdadeiramente eficaz que atenda às necessidades do educando e vá além do simples conduzir o educando.

6.2 Uma prática inventada

            De acordo com Freire (1996, p. 11) “Não há saber sem pesquisa e pesquisa sem ensino”, validando tal teoria, vale destacar que o cotidiano do educador, bem como seus métodos e práticas é constantemente vigiado por pais de alunos, pela mídia, por críticos, pelo corpo discente, enfim, por toda a sociedade e que, pressionados por essa cobrança, alguns profissionais da educação acabam recorrendo a informações filtradas que resultam num conhecimento simbólico e não parte de um saber suficientemente teórico. Nessa linha de pensamento, Moço, Santomauro e Vichessi (apud RAPOPORT, 2008), explicam que “Eles (os profissionais da educação) buscam um referencial teórico, mas, como não conseguem se aprimorar acabam fazendo no dia-a-dia um trabalho intuitivo e equivocado.” Eis o problema, a teoria acaba sendo reinventada e não é para melhor!
Na ânsia de se mostrar atualizado quanto aos conhecimentos pedagógicos o educador tem se limitado a poucas informações, não se preocupando com o aprofundamento das idéias, do contexto histórico e teórico que gerou tal informação. Aliado a isso, Moço, Santomauro e Vichessi (2008, p. 12), ainda acrescentam que  “Algumas expressões popularizadas no meio educacional são usadas hoje com um sentido muito diferente do que tinham originalmente, mostrando que muitos educadores estão se apoiando em idéias frágeis.”
 A maior conseqüência da falta de informações e da pesquisa superficial é a distorção das idéias reais do autor fadadas a um inevitável senso comum. A este respeito, Paulo Freire (1996, p. 22) muito contribui ao dizer que “A reflexão crítica sobre a prática se torna uma exigência da relação Teoria/Prática sem a qual a teoria pode ir virando blábláblá e a prática, ativismo.” Ou seja, pouca pesquisa acaba sendo ainda pior que pesquisa nenhuma, pois ao invés de favorecer a prática pedagógica por meio de uma base teórica ela acaba provocando o inverso, que é o empobrecimento e a alienação da prática pedagógica.
De fato, é de suma importância que os profissionais da educação se mantenham atualizados e informados, inclusive para que eles tenham uma postura segura e confiante perante o educando. A teoria deve ser uma aliada para a autoconfiança do educador, para a boa relação professor-aluno, para a coerência da prática pedagógica e para o cotidiano do professor. Usá-la apenas para decorar as paredes, para enfeitar o currículo ou para impressionar aos que o cercam não tem valor algum, assim já disse Freire:


Não posso ensinar o que não sei. Mas, este, repito, não é saber de que apenas devo falar com palavras que o vento leva. É saber, pelo contrário, que devo viver concretamente com os educandos. O melhor discurso sobre ele é o exercício de sua prática. (1996, p.95).

            Mais do que saber a teoria e escancará-la a todos é importante a prática bem embasada. É ela, a prática, o foco de toda teorização.


6.3 A verdadeira práxis pedagógica


Antes de tudo é necessário compreender que devido às alterações e evoluções culturais, tecnológicas, sociais, políticas e econômicas que a sociedade vem sofrendo, faz- se necessário que a educação e, consequentemente, os profissionais da educação, se adaptem, se adequem e também evoluam, também busquem inovar. Embora muitos educadores ainda resistam a essa realidade, a educação não é mais mera transferência de conhecimento, memorização de informações e nivelamento da aprendizagem, quem ainda não se adequou está ultrapassado. Segundo Zuin, Pucci e Oliveira,

A educação como produção de uma consciência verdadeira é [...] uma exigência política, pois uma democracia com o dever de não apenas funcionar, mas operar conforme seu conceito demanda pessoas emancipadas. Uma democracia efetiva só pode ser imaginada enquanto uma sociedade de quem é emancipado. (1999, p.139)

 Para criar a produção de uma consciência verdadeira, da qual falam Zuin, Pucci e Oliveira é necessário que muitas mudanças ocorram em detrimento do antigo modelo de educação.
A maior parte das mudanças a serem feitas depende da postura, da formação e da boa vontade do educador. Se ensinar exige essa série de requisitos e o professor é quem ensina, depende principalmente dele o sucesso ou o fracasso de uma turma de alunos. Portanto, a prática educativa deve ser exercida por profissionais que realmente valorizem o ensino, que se comprometam, que estejam dispostos assumir verdadeiramente essa função.
A verdadeira prática pedagógica é aquela que ocorre com naturalidade, sem um roteiro fixo, porém com um planejamento, com objetivos pré-estabelecidos e consegue por meio de um processo didático promover a educação e a construção do conhecimento de forma prazerosa e que para além dessa construção do conhecimento, leve o educado a uma consciência verdadeira, já citada por Zuin, Pucci e Oliveira (1999), ao senso crítico e à autonomia.

ESTA FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA FOI GENTILMENTE CEDIDA PELA ALUNA EGRESSA RENATA FERNANDES DOS SANTOS DO CURSO DE PEDAGOGIA.

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