segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

POR QUE FILOSOFIA?

A introdução do livro Temas de Filosofia de Maria Lúcia de Arruda Aranha e Maria Helena Pires Martins, cujo título é: Por que filosofia? serve como pano de fundo para as nossas discussões preliminares voltadas para a iniciação ao pensamento filosófico na academia.

As autoras iniciam o texto com a demonstração de que a atitude filosófica deve nascer do espanto diante do que nos rodeia, desde as situações consideradas as mais banais. É necessário questionar tudo ao invés de assumir uma postura acomodada diante do real, sempre à espera de soluções prontas e pragmáticas para os problemas. O problema é que deve ser considerado, mais que as respostas. O conhecimento deve ser construído e não mais depositado. Dúvida e indagação são as palavras de ordem da filosofia. É necessária também a crise, o desconforto que permite a tomada de consciência de que as coisas não vão bem e, portanto, é urgente que se pense e que se faça pensar. Assim as portas que conduzem à crítica poderão se abrir e o mundo do filosofar irá se apresentar.

A filosofia nasce no séc. VI a.C com Tales de Mileto como contraponto da visão mítica do mundo adotada no período homérico (séc. X-VII a.C). No período mítico a sociedade grega se apoiava na agricultura e a natureza era enxergada como a representação da vontade dos deuses. O êxito da colheita dependia, pois, da obediência às divindades. As águas dos rios também eram consideradas sagradas. Nessa época a aristocracia dominava a organização social do território grego e não havia espaço para o exercício livre da política ou do pensamento. Este estado de coisas contribuiu para a manutenção do paradigma mítico durante séculos.

No séc. VI a.C os centros urbanos começam a florescer com o desenvolvimento do comércio e o artesanato. A vida nas cidades permite o nascimento da democracia grega e a participação dos comerciantes na política se torna possível graças ao auxílio dos sofistas, pensadores que ensinavam a retórica como recurso persuasivo fundamental para os candidatos aos postos ofertados pela nova conjuntura política grega.

Os primeiros filósofos, tais como Tales e Pitágoras, passaram a gozar de um momento histórico favorável ao questionamento do modo mítico de interpretação da realidade, o que lhes permitiu perceber a natureza como uma estrutura independente da ação dos deuses, com uma lógica e um funcionamento próprio.

A filosofia nasce como a possibilidade de compreensão da natureza pelo uso exclusivo da racionalidade humana. Suas características mais relevantes são: a radicalidade, o rigor e a visão de conjunto. O pensamento filosófico não se contenta com justificativas superficiais e por isso procura a raiz dos fatos, de modo disciplinado, planejado. Tenta também perceber os fatos de forma contextualizada, ao levar em conta as causas para além da mera aparência.

O filósofo é geralmente tomado como cético, alguém que não aceita uma verdade absoluta e, portanto, respeita a diversidade de visões possíveis da realidade. Para muitos pensadores, tais como David Hume, o aparato cognitivo humano é incapaz de chegar à essência das coisas, por isso, não podemos conhecer nada além dos fenômenos que se apresentam diante da consciência.

Embora alguns pensadores, tais como Descartes, tenham adotado um posicionamento dogmático em suas especulações, no sentido de acreditar que a razão humana pode chegar à essência do real, o dogmatismo é rejeitado por muitos filósofos que o consideram, inclusive, como inimigo da iniciativa que abre portas para o saber crítico e autêntico.

Prof. Bruna Milene Ferreira.

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