domingo, 7 de outubro de 2012

CAFÉ FILOSÓFICO 2012/2

Caros alunos, eis alguns esclarecimentos sobre o material enviado que poderão auxiliá-los a compreender um pouco melhor a proposta do Café Filosófico: *SCHOPENHAUER: A tela "Vaidades da vida humana" é bem metafórica, é necessário tentar interpretar o que cada objeto pintado simboliza. Steenwyck revela a fragilidade presente no apego desesperado dos seres humanos às coisas ou ao conhecimento, no sentido de tentar conferir significado à vida, a todo momento ameaçada pela morte (a caveira do quadro). A música "Tédio" se aproxima muito do modo como Schopenhauer percebe a vida banal mergulhada no mecanicismo do cotidiano: "A vida oscila entre a dor e o tédio". A existência se reduz ao fardo do trabalho e às horas de lazer que geralmente são ocupadas com o consumo que transforma os humanos em coisas à mercê de outras coisas. O poema de Augusto dos Anjos é devastador, um "soco no estômago", a inserção do homem na fria condição de ser mortal, a promoção do encontro com os vermes que consumirão nossas carnes, a prova final da conotação trágica da vida. No caso do filme "Cisne Negro" procurem observar os 15 minutos finais. O drama experimentado pela bailarina diante do desafio de interpretar papéis radicalmente distintos, de forma quase que simultânea, no mesmo palco. A arte a toma de forma obcessiva, ela quer experimentar a perfeição. Para Schopenhauer a arte é capaz de nos elevar além da mediocridade da vida cotidiana, pode nos conduzir além da simples mortalidade. * NIETZSCHE: O filme do Cazuza nos apresenta uma vida autêntica que flerta com o excesso e o perigo a todo momento. É algo bem parecido com o que Nietzsche concebe como "Viver perigosamente". Para ele só a ausência de limites pode, de fato, nos levar à conquista da autenticidade, mesmo que no final isto nos leve à morte. Contudo, para o filosofo do martelo a plena autenticidade se encontra para além do homem. - A música Rehab da Amy Winehouse também vai por esse caminho. Ela nunca quis ser politicamente correta e cantou de forma franca, como puocos, suas fraquezas e fantasmas. - A tela de Munch - O grito - denuncia o horror humano diante do absurdo da existência. Os espectadores que apacerem ao fundo representam a sociedade que sempre nos espreita e controla e as tintas carregadas são a necessidade de transgressão das normas estabelecidas. - O poema de Fernando Pessoa - Há em tudo que fazemos - conclama a urgência de viver simplesmente, sem pensar demais sobre o que se vive, sem grandes planejamentos ou racionalizações. * FREUD: Filme: Em Nome de Deus. Trata da relação amorosa entre um filósofo medieval - Abelardo e sua pupila Heloísa. A relação era, desde o início considerada proibida pela Igreja, e quando descoberta desencadeou punições extremas como a castração. Isto tem a ver com Freud, pois para ele uma das maiores fontes do sofrimento humano reside no fato de termos o olhar do outro sobre nós para julgar, ameaçar e punir. A música da Legião Urbana - Perfeição - fala dos horrores presentes nas relações que os seres humanos travam em sociedade, tudo regado a muita hipocrisia e maldade. Mas existe alguma "esperança", para Freud os mecanismos de sublimação (a arte, o amor, o investimento no intelecto, a educação) podem reduzir o sofrimento (não acabar totalmente com ele), pois os indivíduos ficam menos fixados nos desejos imediatos relacionados à agressividade e à sexualidade. O trecho do livro da Clarice Lispector - Perto do Coração Selvagem - também menciona a sociedade como empecilho para a felicidade do indivíduo, por ser padronizadora e esmagar os interesses particulares em prol da "ordem" e da "segurança" coletiva. A tela "Jangada de Medusa" tematiza o caos em que vivemos, a falta de sentido da vida, e a ilusão de que caminhamos para o progresso, na verdade estamos em uma jangada caótica prestes a afundar. * SARTRE: Filme: Crônica - Divina Comédia de Nelson Rodrigues. Trata da história de dois casais de classe média com casamentos fracassados, mas imensamente preocupados com a imagem que a vizinhança possuia deles. No portão de casa fingiam uma grande paixão não condizente com o que vivenciavam intimamente. Sartre fala na peça "Entre quatro paredes" que o "Inferno são os outros", afinal nos preocupamos excessivamente com o julgamento do outro em relação às nossas vidas e isso nos conduz a uma existência regada à grande hipocrisia, como ocorre na crônica. A tela "Os retirantes" de Portinari retrata verdadeiros cadáveres "vivos", pessoas destituídas de dignidade, identidade...exploradas, esvaziadas pelo controle que os outros exercem sobre elas no trabalho, em casa, em todos os lugares. A música "Cuidado" do Barão Vermelho tematiza a ausência de privacidade no mundo contemporâneo. Eis o inferno que mais uma vez o olhar do outro representa. O poema do Drummond - A flor e a náusea - revela o existencialismo (corrente filosófica a qual Sartre pertence) como pensamento que concebe o homem como uma figura livre para projetar a vida como quiser, mas que precisa prestar contas com o peso das responsabilidades advindas desta liberdade. Para Sartre a vida não possui mistificações, não há como vê-la pela ótica do romantismo, é necessário simplesmente viver as possibilidades que o mundo oferece, devemos nós mesmos dar sentido às nossas experiências, mesmo que diante do mundo sejamos medíocres e totalmente descartáveis. * HANNAH ARENDT O filme: The Wall é uma espécie de biografia do vocalista da banda Pink Floyd (Roger Waters). Ele enfrentou grandes repressões, a começar pelo fato de ter tido um pai militar, que ainda por cima morreu em combate na Segunda Guerra Mundial. As lembranças que ele guarda dos tempos de escola também não são as melhores. Os professores eram profundamente autoritários e controladores e os alunos eram tratados de modo massificado, como se não tivessem nenhum tipo de vontade ou individualidade. Hannah Arendt critica o ensino meramente técnico que concebe as pessoas como simples mão de obra, como se todos fossem peças de uma grande máquina, a favor do lucro capitalista. Daí a comparação com o filme. A educação técnica não forma sujeitos críticos e sim pessoas incapazes de criatividade ou talento. A tela Ciranda de Milton da Costa também remete ao tema da ausência de rostos, perda da identidade, desumanização derivada do trabalho anônimo e explorador que não dignifica em nada o homem. A música do Cazuza (Blues da Piedade) versa sobre pessoas que estão no mundo para contar dinheiro e controlar a existência alheia. Pessoas caretas e covardes. É este tipo de gente que a educação vem formando, indivíduos fracos, as vítimas obrigatórias de sempre. O poema da Cecília Meireles - Renova-te- vem, então, conclamar a necessidade da renovação, da reivenção de si mesmo, a cada instante, pois viver é para agora, para o presente, é necessário fluir sempre, mudar, sem jamais deixar-se padronizar. Somente uma educação preocupada com a formação de seres políticos, que enxergam a vida para além do egoísmo dos projetos particulares poderá resgatar o debate público e a tarefa conscientizadora do professor como fomentador da criatividade e da liberdade coletiva. *BAUMAN: Filme: Tempos Modernos: fala da coisificação do ser humano que por ter a sua vida, quase que na maior parte do tempo, ligada ao trabalho, que geralmente explora a mão de obra, se vê praticamente como uma máquina adestrada pela repetição de práticas mecânicas que o mercado impõe às pessoas. A tela de Andy Warhol mostra a fabricação dos ídolos (Marilyn Monroe) que desejamos imitar e que nos roubam a identidade. Ao lado da atriz são exibidos produtos que acreditamos que se forem consumidos poderão nos levar à aproximação da existência semelhante a dos ídolos. A música da Pitty - Só de passagem - cultiva a ideia de que não devemos nos deixar confundir com as coisas que adquirimos, pois isto nos levaria ao total esvaziamento enquanto seres humanos transformados em mercadoria e homem massa. Bauman fala da modernidade líquida, da tendência humana contemporânea a comportamentos consumistas que levam a uma falsa sensação de liberdade. Acreditamos poder conduzir nossas vidas como bem quisermos,mas somos "livres" apenas para comprar e, ao mesmo tempo, escravos das mercadorias novas que surgem a todo momento e exigem que as compremos a fim de mantermos o status quo. Hoje tudo flui muito rapidamente, nada se solidifica, não há chão sob nossos pés e esta velocidade cria um tempo histórico líquido mergulhado na falta de referências. *CAMUS: A música é dos Engenheiros do Hawai: Infinita Highway. A letra expressa a ideia de que a vida é simplesmente uma estrada incerta que nos conduz sem grandes objetivos ou sentido. Isso está presente em Camus que afirma ser a existência algo vazio de significado, cabe então ao próprio homem criar seus projetos e tentar concretizá-los, sem a interferência de uma figura divina. A vida é apenas um momento e não há futuro ou garantias. A tela do Salvador Dali - A persistência da memória - faz alusão a objetos "derretidos", à desertificação do ambiente, o que aponta para a falta de solidez da vida, tudo se esvai e só resta a memória que leva o indivíduo a perceber a inutilidade de sua existência quando chega a velhice. O poema da Florbela revela a ausência de uma identidade, o que está diretamente ligado à figura do Estrangeiro de Camus. O herói trágido do existencialismo não finca raízes neste mundo, se sente um estrangeiro que passa por aqui como se esta experiência fosse apenas uma grande ilusão. O trecho do filme "A hora da estrela" que nos interessa é o diálogo entre Macabéa e Olímpico de Jesus no Jardim Zoológico, quando ela começa a fazer perguntas e chega à conclusão de que não sabe quem ela própria é, ela chega a dizer: "nem sei se sou gente". A protagonista é uma nordestina miserável, crua, anônima, a vida dela se reduz ao trabalho, ao pequeno quarto que aluga e a escutar a rádio relógio, o que mostra o quanto existir se reduz à banalidade e à monotonia na maior parte do tempo. ESPERO QUE NOSSAS EXPERIÊNCIAS COM OS CAFÉS SEJAM PROFÍCUAS E QUE REPRESENTEM UM MODO DE FAZER A DIFERENÇA NO AMBIENTE ACADÊMICO...ENTÃO SÓ NOS RESTA OUSAR...IR ALÉM...TRANSGREDIR AS VELHAS FÓRMULAS E MOSTRAR QUE PODEMOS APRENDER DE FORMA MAIS INSTIGANTE E PRAZEROSA.

2 comentários:

  1. Bom, o que tenho pra falar de uma materia assim, tão estigante que me fez olhar a arte que é a filosofa de modo peculiar e com um olhar mais crítico de forma abrangente universal, coisa que eu nunca pensei que seria possivél nossa estou saindo deste período com visão e conhecimento mais amplo.Não sei se estas aulas vão continuar no proximo período mais confesso que foi uma das aulas que mais me prendeu hoje posso falar filosofia não é um bicho de sete cabeças não pelo contrario ela nos faz entender um pouco mais a vida ou kkk desaprender, sermos mais autêticos.

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  2. Concordo LEIDIANY, as aulas ministradas pela Bruna são maravilhosas adorava quando estava no primeiro período de historia... Já gostava muito de filosofia a gora só apaixonada por conta dessas aulas.Minha dica e aproveite bastante, pois o que e bom passa rápido de mais... Ai Bruna só sua fã!!!!!

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